domingo, 12 de fevereiro de 2012

A crítica da arte

Outro setor da literatura da arte é a crítica: incluem-se no seu âmbito, no século XVI, as discussões sobre os méritos comparativos das várias artes e sobre a preferencia a dar ao desenho florentino e romano ou ao colorido veneziano e também as expressivas descrições de reações emotivas experimentadas perante obras de arte. A partir do seculo XVII, quando se pretendeu dar a todo o conhecimento um fundamento crítico e já não dogmático,tentou-se fundamentar cientificamente o juízo crítico sobreo valor das obras de arte. O crítico é propriamente um perito, uma pessoa que, possuindo uma longa e vasta experiencia da arte, está em posição de reconhecer se, na obra que examina, se contém aquela qualidade que a prática lhe ensinou encontrar-se em todas as autenticas obras de arte; e que, aprofundando o exame reconhece na obra que estuda caracteres e processos que a aproximam das obras certas de um determinado período, de certa escola, de um certo mestre. No decurso do seculo XIX, cuja cultura é dominada pelo pensamento positivista, procurou-se eliminar tudo o que havia de empírico na atividade de perito e fornerce-lhe ummétodo baseado em dados objetivos. Se bem que, originariamente, a figura do perito, diferente da do historiador que os reagrupa e os ordeena, é propriamente ao perito que se deve o aparecimento de uma historiografia da arte já não baseada apenas na tradição e em documentos , masno estudo direto e analitico das obras, entendidas como documentos primeiros e essenciais da historia da arte.
Na prática, subsite ainda uma diferença entre a critica e a historia da arte, se bem que, seguindo uma tradição que remonta ao seculo XVIII, a crítica se ocupe principalmente da arte contemporânea, seguindo-lhe todos os movimentos, preferindo abertamente uns ou outros, informando o público através da imprensa e procurando oorientá-lo nesta ou naquela direção. Todavia, esta diferença não encontra justificação no plano teórico:aquilo a que se chama juízo sobre a qualidade das obras é, como veremos, um juízo sobre a sua atualidade, sobre o seu descolamento do passado e sobre as premissas que estabelecem para os desenvolvimentos futuros da pesquisa artística. O juízo crítico inclui-se por isso no âmbito de atividade do historiador. (fonte:Teoria da Arte de Giulio Argan)

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