sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Juízo crítico e valor artístico

A história da arte é, obviamente, a história das obras de arte:mas como se decide queuma obra é uma obra de arte?Já dissemos que esta decisão pode derivar apenas do juízo crítico; mas em que consiste propriamente esse juízo?E até que ponto ele é fidedigno? Em todas as épocas o juízo de valor sobre as obras de arte foi formulado mais ou menos explicitamente, mas em cada época foi formulado segundo parâmetros diversos. Há obras que no passado foram celebradas como grandes obras-primas e que nós nao vemos como tal, enquanto revalorizamos outras já esquecidas ou desacreditadas. Pode reconhecer-se fundamento científico a um juízo que nunca é definitivo, e que cada época, cada cultura e até cada pessoa formula e motiva de maneira diferente? E, por outro lado, pode imaginar-se uma ciência que não formule juízos? Sem o juízo, a arte seria uma mistura confusa de fenômenos díspares, onde as obras que caracterizaram uma época ou uma cultura, alterando-lhes por vezes o curso, se misturariam em paridade de valor com mil outras obras insignificantes, e nem sequer poderia manter-se a diferenciação,bem clara em cada civilização, entre a arte e ofício. O juízo é, pois, necessário, mas não pode reduzir-se à declaração de que uma dada obra obra é obra de arte e tem valor artístico; nem pode constituir só por sí a premissa da investigação histórica que sabendo que aquela é obra de arte, deveria localizá-la no espaço e no tempo, coordená-la com outras obras com as quais tem uma relação, explicar a situação em que foi produzida e as consequencias a que deu lugar. Noutros tempos, os parâmetros do juízo de valor foram o belo, a fidelidade na imitação da natureza, a conformidade com certos cânones icônicos ou formais, o significado religioso, o interesse da narração figurada, etc. Para a nossa cultura, que se baseia na ciência que estuda as ações humanas, o parâmetro do juízo é a história. Uma obra é vista como obra de arte quando tem importância na história da arte e contribuiu para a formação e desenvolvimento de uma cultura artística. Enfim:o juízo que reconhece a qualidade artística de uma obra, dela reconhece ao mesmo tempo a historicidade. Não existe, portanto, uma diferença substancial ente o crítico ou o perito e o historiador de arte. É verdade que o juízo crítico consiste sobretudo no sentir a obra de arte, no intuir os seu valor; mas, pondo de lado o fato de essa intuição implicar uma experiência histórica da arte, ela mais não é do que uma hipótese de trabalho, que espera da investigação histórica a necessária averiguação.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Lavras Art Studio

Estou postando a foto do meu ambiente de trabalho que ainda está como Studio Arte, mas o nome será mesmo Lavras Art Studio. Achei que colocar meu proprio nome não ficava legal e assim faço uma homenagem a Lavras que continua pobre em lugares destinados à Arte. É pequeno na frente da minha casa mas dá frente p a rua, as pessoas passam e curtem o que estou fazendo e veem os quadros que exponho. E assim vamos indo, dedicando o nosso tempo a um pouco de cultura, estética e beleza para dar um colorido a nossa vida.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A crítica da arte

Outro setor da literatura da arte é a crítica: incluem-se no seu âmbito, no século XVI, as discussões sobre os méritos comparativos das várias artes e sobre a preferencia a dar ao desenho florentino e romano ou ao colorido veneziano e também as expressivas descrições de reações emotivas experimentadas perante obras de arte. A partir do seculo XVII, quando se pretendeu dar a todo o conhecimento um fundamento crítico e já não dogmático,tentou-se fundamentar cientificamente o juízo crítico sobreo valor das obras de arte. O crítico é propriamente um perito, uma pessoa que, possuindo uma longa e vasta experiencia da arte, está em posição de reconhecer se, na obra que examina, se contém aquela qualidade que a prática lhe ensinou encontrar-se em todas as autenticas obras de arte; e que, aprofundando o exame reconhece na obra que estuda caracteres e processos que a aproximam das obras certas de um determinado período, de certa escola, de um certo mestre. No decurso do seculo XIX, cuja cultura é dominada pelo pensamento positivista, procurou-se eliminar tudo o que havia de empírico na atividade de perito e fornerce-lhe ummétodo baseado em dados objetivos. Se bem que, originariamente, a figura do perito, diferente da do historiador que os reagrupa e os ordeena, é propriamente ao perito que se deve o aparecimento de uma historiografia da arte já não baseada apenas na tradição e em documentos , masno estudo direto e analitico das obras, entendidas como documentos primeiros e essenciais da historia da arte.
Na prática, subsite ainda uma diferença entre a critica e a historia da arte, se bem que, seguindo uma tradição que remonta ao seculo XVIII, a crítica se ocupe principalmente da arte contemporânea, seguindo-lhe todos os movimentos, preferindo abertamente uns ou outros, informando o público através da imprensa e procurando oorientá-lo nesta ou naquela direção. Todavia, esta diferença não encontra justificação no plano teórico:aquilo a que se chama juízo sobre a qualidade das obras é, como veremos, um juízo sobre a sua atualidade, sobre o seu descolamento do passado e sobre as premissas que estabelecem para os desenvolvimentos futuros da pesquisa artística. O juízo crítico inclui-se por isso no âmbito de atividade do historiador. (fonte:Teoria da Arte de Giulio Argan)

da literatura sobre a arte...

dando continuidade sobre a literatura sobre arte importantes tratados fixavam normas e davam instruções segundo as quais os artistas poderiam evitar erros e aproximar-se-iam de de uma manifestação artística considerada como ideal, perfeita.
Esses tratados na Idade Média diziam respeito à tecnica e tinham carater normativo.No sec. XIV, o Libro dell'Arte de Cennini, descrevia os processos tecnicos da pintura, mas não deixavam de indicar
as origens e a finalidade ideal da arte e, sobretudo, precisava que a tecnica descrita era praticada pelo grande mestre Giotto e seus discípulos. No sec. XV, com Leon Battista Alberti, os tratados assumiram um carater teórico, enunciame explicam a teoria da qual deve proceder a pratica da realização artistica.Mais numerosos são os tratados sobre arquitetura, que descrevem e analisam os modelos antigos, passando em seguida a ditar regras tipológicas (edifícios sacros e civis;planimetrias centralizadas e longitudinais), morfológicas ( as cinco ordens da arquitetura clássica;envasamentos, ornatos, cupulas, etc.) estilístcas (simetria e proporções, relação como espaço circundante, etc.), tecnico construtivas (estática do edificio, materiais e processos de construção). De vez em quando, a tratadística ocupava-se de problemas gerais, de critérios, fundamentais da representação, válidos para todas as artes: a perspectiva ( por ex. Piero della Francesca no sec. XV, o padre Pozzo no sec. XVII, as proporções ( Luca Pacioli, no sec XV, Albrecht Durer, Vicenzo Danti no sec. XVI, o desenho ( Vasari, Frederico Zuccari no sec XVI). Um caso a parte , mas da maior importancia é o Trattato della Pittura, de Leonardo da Vinci, que não tem uma estrutura teórica verdadeira e propria, mas recolhas reflexões do artista sobre asua propria experiencia pictórica. (fonte: Teoria da Arte, Giulio Carlo Argan).

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A LITERATURA ARTÍSTICA


Em todas as epocase em todas as culturas existiu a consciencia do valor artístico. As coisas de valor artístico sempre foram direta ou indiretamente asssociadas aqueles que a sociedade considerava os valores supremos: o culto do divino, a memória dos mortos, a autoridade do Estado, a História. Sempre as coisas em que se reconheceu valor artístico se transformaram em oobjeto de particulares atenções: expostas, admiradas, celebradas, conservadas, protegidas, transmitidas de geração em geração. A literatura que de diversas maneiras trata da arte é apenas um palido testemunho parcial do valor atribuido a arte. Mas também por se ve como a arte foi desde a antiguidade considerada uma das componentes essencias, e por vezes verdadeiramento o eixo, do sistema cultural.Dela se ocuparam os literatos e sobretudo os historiadores, conscientes da importancia das obras de arte como fatos historicos e acontecimentos memoráveis, na historia religiosa e civil. Pelo meio do seculo XVI surge, com as Vite, de Giorgio Vasari, a primeira historia da arte específica, que traça o desenvilvimento organico dos fatos artísticos por um período de cerca de tres seculos,ilustrando os contributos originais das personalidades emergentes, de Cimabue a Miguel Angelo.

(pintura: Auto retrato ao gosto holandes- artista Lucia Spilotros- remetendo aos artistas do seculo XVI.)

O CAMPO DA ARTE

O campo fenomenal da arte é dificilmente delimitável:cronologicamente compreende manifestaçãções que vão da mais remota pré-historia até os nossos dias; geograficamente, todas as áreas habitadas da comunidade humana, qualquer que seja o grau de desenvolvimento cultural. Consideram-se artísticas atividades muito diferentes entre sí:não apenas as artes chamadas visuais,mas também a música, a poesia , a dança, o espetáculo e outros.Pode-se considerar obra de ate um complexo monumental e até uma cidade inteira, e podem considerar-se obras de arte em si mesmas as coisas que constituteem aqueles conjuntos ( edificios religiosos e civis, publicos e privados; ruas, praças parques pontes estatuas, fontes etc,).
As funçõespraticas representativas, ornamentais, a que as coisas se destinam não nos fornecem criterios de discriminação;podem ser obras de arte um templo, um palácio, uma vivenda uma fortaleza; um móvel ou qualquer utensílio; um paramento sacro, um estandarte, um traje de cerimonia, uma armadura de parada ou de combate.Nem sequer as tecnicas servem para qualificar de artísticos os seus produtos; quase todas as técnicas praticadas pelo homem têm produzido por vezes obras artísticas, mas nenhuma técnica tem produzido sempre obras com valor artístico. Está estabelecida pelo uso uma distinçaão entre artes maiores ( arquitetura, pintura, escultura) e artes menores (todos os generos de artesanato); nas primeiras prevaleceria o momento ideativo ou inventivo,na segunda o momento executivo ou mecânico. Mas, trata-se de uma distinção válida apenas para as culturas que a estabeleceram, e nem sequer é resolutiva neste caso: existem obras de ourivesaria, esmaltes, tecidos,ceramicas, etc.,que artisticamente valem mais do que obras medíocres de arquitetura, pintura ou escultura.

O conceito de arte não define, pois, categorias de coisas, mas um tipo de valor. Este está sempre ligado ao trabalho humano e às suas técnicas e indica o resultado de uma relação entre uma atividade mental e uma atividade operacional. Esta relação não é uma unica possível: tb uma obra de engenharia pode realizar uma relação perfeita de ideação e execução, enem por isso é uma obra de arte. O valor artístico de um objeto é aquele que se evidencia na sua configuração visível ou como vulgarmente de siz, na sua forma, o que está em relação com a maior ou menor importãncia atribuidada à experiência do reall, conseguida mediante a percepção e a representação. Qualquer que seja a sua relação com a realidade objetiva, uma forma é sempre qualquer coisa que é dada a perceber, uma mensagem comunicada por meio da percepção. As formas valem como significantes somentena medida em que uma consciencia lhes colhe o significado: uma obra é uma obra de arte apenas na medida em que a consciencia que a recebe a julga como tal. Portanto, a história da arte para a civilização é fundamental e indispensável. (fonte:Teoria da Arte de Giulio Carlo Argan )

Escola de Atenas - Smarthistory

Escola de Atenas - Smarthistory